Bebê de capacete: quando é necessário? Cerca de 12% dos bebês brasileiros têm assimetria craniana - Revista Pais&Filhos

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Estrabismo, alterações no formato da cabeça, pé chato, lábio leporino e hérnia umbilical: veja por que é importante fazer o diagnóstico e começar o tratamento o quanto antes

 

Por Malu Echeverria 

 


Estrabismo

 

Até o quarto mês de vida, um pequeno desvio no olhar do bebê é considerado normal, já que ele ainda não coordena direito a movimentação dos olhos. Mas, se o desvio persistir, o melhor a fazer é levá-lo a um oftalmologista. Quando não tratado, além da questão estética, o estrabismo pode evoluir para problemas mais sérios, como a ambliopia, que ocorre quando o cérebro não consegue fazer a junção das imagens captadas através de cada um dos olhos.

O médico pode sugerir o uso de um tampão, que é colocado no olho bom da criança, com o objetivo de estimular o que está com problema. Quando há uma grande diferença de grau entre os dois olhos, é indicado o uso de óculos para corrigi-la e restaurar o paralelismo. Há casos em que a solução é uma cirurgia, como quando o desvio é provocado pela fraqueza do músculo responsável pela movimentação do globo ocular. Se necessário, o oftalmologista irá complementar o tratamento com exercícios de correção realizados em aparelhos ópticos especiais.

 

 

Pé chato

 

O pé plano, como é chamado, é comum em bebês e pode permanecer assim até por volta dos 3 anos, enquanto a musculatura está em desenvolvimento. Antigamente era comum usar bota ortopédica, mas hoje os médicos podem indicar uma palmilha especial quando a criança tem dores ou fica muito cansada ao andar e correr. O acessório, que deve ser usado sempre que possível, não corrige o problema, mas evita o desconforto. De qualquer forma, deixe seu filho andar descalço em casa, uma vez que essas atividades de mobilidade ajudam a desenvolver a curvatura natural do pé. 

 

 

Alterações no formato da cabeça

 

Estima-se que 12% dos bebês apresentem algum achatamento na cabeça, o que é chamado de plagiocefalia posicional. Ela é causada pelo mau posicionamento do bebê ainda no útero. É mais comum em gêmeos, já que eles têm menos espaço ali ou, ainda, podem "amassar" o corpo do irmão com algum membro, como o braço ou o pé. Mas muitas crianças também nascem com a cabeça no formato normal e, por ficarem 24 horas na mesma posição, desenvolvem o problema após o nascimento. O tratamento deve ser iniciado entre os 4 e 14 meses de idade, porque após os 18 meses, como as suturas cranianas (as chamadas moleiras) estão praticamente fechadas, é difícil remodelar a cabeça. 

Se o bebê não for tratado no tempo adequado, além do achatamento, ele pode ter dificuldades no fechamento da mandíbula e desalinhamento visual no futuro. O tratamento consiste em bloquear o crescimento da região afetada (que pode ser uma das laterais ou a parte posterior da cabeça). Se o grau for leve, o pediatra vai orientar que você deixe o bebê deitado do lado oposto, por exemplo. Além disso, ele pode indicar posicionadores, como os rolinhos, para evitar que o bebê se vire demais para o lado afetado ou, ainda, brincadeiras com objetos que chamem a atenção da criança para um lado específico. Em alguns casos, é necessário o uso de capacetes especiais, que são feitos com um molde virtual da cabeça do bebê. 

* Vale lembrar que essas orientações em relação à posição da criança é para esse tipo de problema, já que a recomendação é que ela fique sempre de barriga para cima, para prevenir a morte súbita.

 

 

Lábio leporino

 

A lábio-palatal é uma má formação congênita que provoca aberturas nos lábios e no céu da boca, o palato. A fissura acontece entre a 4ª e a 12ª semana de gestação e, a partir do terceiro mês já é possível identificá-la com um ultrassom. O momento ideal para operar afenda labial é entre 3 e 6 meses, desde que o bebê esteja se desenvolvendo bem, dentro do peso ideal e com boa condição clínica. Já o palato é fechado entre 12 e 18 meses, quando a criança começa a articular as primeiras sílabas. São necessárias de três a cinco cirurgias. Mas isso depende do tipo de fissura, que pode ser apenas labial, apenas palatina ou as duas. 

 

 

Hérnia umbilical

 

Esqueça aquela história da moeda no umbigo. A possibilidade de ter ou não uma hérnia umbilical não depende dos cuidados que se tenha com o recém-nascido. Trata-se de uma característica da parede abdominal da criança ao nascimento. A imensa maioria das hérnias umbilicais fecha espontaneamente até aproximadamente 1 ano de idade. Em alguns casos, o pediatra vai indicar uma cirurgia para corrigi-la. 

 

 

 

Fontes: Albert Bousso, pediatra; Ana Tereza Ramos Moreira, da Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica; Gerd Schreen, médico especialista em plagiocefalia; Henrique Sodré Fialho, ortopedista e professor da Universidade Federal de São Paulo; Nivaldo Alonso, coordenador da equipe de Cirurgia Craniomaxilofacial do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofacial de Bauru-USP

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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