Bebê de capacete: quando é necessário? Cerca de 12% dos bebês brasileiros têm assimetria craniana - Revista Pais&Filhos

May 20, 2017

1/4
Please reload

Destaques

Manter o bebê na mesma posição pode causar alterações no crânio - Jornal O GLOBO.

February 15, 2012

Alternar os lados durante a amamentação e o sono ajuda a prevenir o problema, que, em casos graves, requer tratamento.

                                                       POR Antônio Marinho

 

 

 

RIO — Estudo realizado na Escola de Medicina de Harvard, em Massachusetts, indica que 12% os bebês saudáveis nascem com alguma assimetria ou deformidade no crânio. Esta alteração pode ser causada pela posição do bebê no útero, por complicações durante o parto, na gestação de gêmeos (54% nascem com assimetrias de crânio) e até pelo hábito de deixar o bebê sempre na mesma posição, principalmente na hora de dormir ou de amamentar. E pediatras alertam que destes 12%, cerca de 3% precisam de tratamento. Isto significa que entre os 2,9 milhões de bebês nascidos em 2008 no Brasil (último levantamento feito pelo Ministério da Saúde) pelo menos 350 mil tiveram a plagiocefalia posicional— deformidade craniana comum visivelmente nítida — e, provavelmente, não foram tratados; já que boa parte dos pediatras brasileiros não está familiarizada com o tema.

 

O termo plagiocefalia posicional vem do grego e significa cabeça oblíqua. Para facilitar o entendimento, imagine-se olhando a cabeça do bebê de cima para baixo. Na plagiocefalia há a nítida impressão de que a cabeça está torta, ou seja, um dos lados fica mais achatado e o outro mais proeminente. Pode haver achatamento posterior (na região chamada de occipício), anterior (na região frontal), assimetria facial e desalinhamento das orelhas e das bochechas, explica o médico Gerd Schreen, especializado em tratamento de assimetrias cranianas com órteses em São Paulo.

 

Segundo o especialista, a melhor forma de prevenir a plagiocefalia posicional é alternar o apoio na cabeça da criança, seja na hora de dormir, para amamentar, trocar a fralda, brincar etc. Este cuidado deve ser tomado por todos os que cuidam do bebê. Ele diz que observar o formato do crânio e identificar precocemente assimetrias que fogem ao padrão de normalidade ajuda a tomar as providências a tempo de evitar suas consequências.

 

— A plagiocefalia posicional só pode ser revertida se for identificada e tratada no período máximo de 1 ano e 6 meses, após esta fase o problema não tem mais solução. Se o bebê não for tratado logo no início, vai conviver com a assimetria por toda a sua vida. As consequências psicológicas são imprevisíveis porque a deformidade é nítida. A plagiocefalia posicional também está relacionada a problemas no fechamento da mandíbula e de desalinhamento visual — comenta o médico.

 

Nos casos mais graves, o tratamento é realizado com órteses cranianas, similares a um capacete. Elas alinham o crânio do bebê na posição correta e são feitas sob medida para cada bebê. O objetivo é moldar o crânio do bebê na fase em que a velocidade de crescimento é maior, ou seja, dos 4 meses aos 14 meses de idade. A órtese deve ser usada 23 horas por dia e o tratamento dura cerca de 3 meses a 4 meses. O primeiro passo é a avaliação com o pediatra, o médico responsável pelo tratamento e com a fisioterapeuta. Nessa ocasião, também é realizado o escaneamento tridimensional a laser que, além de subsidiar o diagnóstico, serve de molde virtual para a confecção da órtese, importada dos Estados Unidos.

 

— Há uma melhora do formato da cabeça do bebê. O acompanhamento é por pouco tempo, porque o crescimento da cabeça do bebê ocorre em velocidade muito mais rápida em proporção ao corpo. Ao final do tratamento, um novo escaneamento é feito para checar as dimensões do crânio, uma forma de comprovar a eficácia do tratamento — explica Schreen.

 

Para prevenir o problema, o especialista dá algumas dicas:

 

1 - Observe a cabecinha do seu bebê, exatamente como faz com as demais partes do corpo: posicione o bebê de frente para você, de frente para o espelho, de perfil e observe também o topo da cabeça. Olhando para bebê dessas maneiras, fica fácil identificar se o desenvolvimento acontece da maneira correta.

 

2 - Caso detecte alguma deformidade na cabeça do bebê, tome alguns cuidados: primeiro tente posicionar o bebê, principalmente na hora de dormir, do lado contrário ao da alteração. Dá trabalho, porque o bebê certamente vai mudar de posição durante o sono, preferindo sempre o apoio no lado da cabeça que já apresenta deformidade.

 

3 - É muito mais fácil supervisionar o sono do bebê durante o dia. À noite, para que o bebê não se vire para o lado em que a cabeça apresenta alguma deformidade, coloque apoios em suas costas. Aqueles rolinhos ou travesseiros auxiliam nessa tarefa.

 

4 - O reposicionamento também vale na hora da alimentação. Se o bebê ainda é amamentado pela mãe, no peito, é importante que ela altere a posição de apoio da cabeça do bebê durante cada mamada.

 

5 - Verifique com o pediatra se o bebê apresenta torcicolo congênito. Crianças com este tipo de problema, normalmente tem predileção por virar o pescoço sempre para o mesmo lado, o que contribui para a plagiocefalia posicional. Caso o bebê seja diagnosticado com o torcicolo, as atividades com fisioterapeuta serão decisivas para a correção das deformidades na cabeça.

 

6 - Posicione o berço do bebê de maneira que ele receba estímulos de posições bem variadas. Há inúmeros casos de quartos de bebês em que o berço fica encostado em uma parede branca e todos os estímulos sonoros e visuais acontecem do lado contrário. O bebê certamente terá uma predileção por virar a cabeça na direção dos estímulos e ficará mais tempo apoiado em um mesmo lado da cabeça. Uma alternativa pode ser colocar o bebê deitado com a cabecinha virada para os pés da cama, assim você terá trocado o ponto de apoio da cabeça sem mexer no quarto inteiro.

 

7 - Não deixe o bebê por horas na cadeirinha ou no bebê conforto. A movimentação da criança fica limitada e as chances de que ele mantenha sempre o mesmo ponto da cabeça são enormes.

 

8 - Sempre que possível opte por carregar o bebê de forma que a cabeça não permaneça muito tempo apoiada no mesmo local. Os cangurus ou slings são bastante eficientes nesses casos.

 

9 - Na hora do banho do bebê, observe se você não usa sempre os mesmos pontos de apoio. Faça o reposicionamento sempre que puder.

 

10 - Sempre que puder e com supervisão, coloque o bebê para brincar de barriga para baixo. Nesta posição, além de não apoiar a cabeça, a criança ainda fortalece a musculatura do pescoço.

 

O médico ensina ainda como observar possíveis alterações no crânio do bebê:

 

Com seu bebê deitado de costas olhando reto para cima, o normal é que olhos e orelhas sejam iguais de ambos os lados. A região anterior da cabeça é arqueada e simétrica.

Suspeite de plagiocefalia se a região anterior é angulada e inclinada para um dos lados. Se a face é inclinada; se olhos e orelhas estão desalinhados; e uma metade da face é mais cheia que a outra.

Suspeite de braquicefalia, se, nesta mesma posição, a cabeça é larga. Se as proeminências acima das orelhas são os pontos mais visíveis da cabeça nesta visão. E suspeite de escafocefalia se a cabeça é alta e estreita e a região anterior da cabeça se assemelha a um quadrado.

 

 

Com o bebê de perfil, olhe para a cabeça dele de um lado e depois do outro. No bebê normal, a região posterior é arrendondada e ambos os lados são simétricos. Há suspeita de plagiocefalia se houver impressão de que um dos lados é mais alto que o outro. Uma orelha pode estar mais próxima do ombro em um dos lados.

Na mesma posição, pode haver braquicefalia se a cabeça é curta na medida ântero-posterior; se a parte posterior é achatada e há uma elevação da parte posterior do topo da cabeça. Há suspeita de escafocefalia se a cabeça é comprida na medida ântero-posterior.

 

Os pais também podem ter uma ideia olhando o bebê de cima para baixo. No bebê normal; o formato da cabeça é um pouco alongado, sendo o comprimento cerca de um terço maior que a largura. Na plagiocefalia, nota-se um achatamento de um dos lados. Na braquicefalia, a largura é maior em relação ao comprimento e a região posterior da cabeça é chata. Na escafocefalia, a cabeça é longa e estreita.


 

 

 

 

Please reload

Siga-nos
Procure pela tag
Please reload

Arquivo
  • Facebook Basic Square
  • YouTube clássico
  • Ícone do App Instagram
  • Google + reflexão

ENTRE EM CONTATO:

Telefone: +55 11 5041-6826

Email: info@clinicaheads.com

São Paulo / Sede Administrativa

Av. Ibirapuera, 2907 Cj 1716
Bourbon Convention Corporate Plaza
São Paulo - SP | 04029-200

Tel: +55 11 5041-6826

      

Rio de Janeiro

Av. das Américas, 3500  Bloco 7 Cj 436

Barra da Tijuca

Rio de Janeiro - RJ | 22640-102

Tel: +55 21 3083-5179

Brasília

SGAS 614 Conjunto C  -  L2 Sul
Edifício Vitrium - Salas 159/161
Brasília - DF | 70200-730

Tel: +55 61 2099-6620 / 99819-8277

      

Só para
ajustes por
enquanto

Curitiba

Av. República Argentina, 1336  Cj 711

Água Verde

Curitiba - PR | 80620-010

Tel: +55 41 3205-9479